Snapshot
Por vezes ela vagueava pelas ruas de carro para pensar na vida, não quando se sentia a pessoa mais infeliz do mundo, mas quando espera que na rua pudesse estar a imagem que a fizesse sentir a pessoa tranquila que ambicionava ser. Aquela vaga de calor morno reconfortante que lhe invadia o corpo cada vez que se sentia bem com ela própria e com a sua vida. De cada vez que via um resto de esperança no mundo.
E num desses dias atarefados, em que regressa a casa do ginásio, cabelo molhado, noite quase cerrada, uma dessas imagens surge, apesar de não procurada. Da porta de serviço da pastelaria da esquina saíam dois mendigos cada um com um saco cheio dos restos do pão e bolos desse dia, mas o mais importante: dois enormes sorrisos.
Ela pensou ‘Claro, amanhã terão de fazer mais bolos, mais pão, em quantidades que não serão de todo afectadas por estes sacos que podem matar a fome a 2 famílias!’ Aquele sorriso e o comentário inaudível para ela que os mendigos faziam entre si perante a abertura do saco proporcionaram aquela agradável sensação de conforto que apenas queria dizer: ‘Ainda há gente boa…’
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aprender
Já sentiram que aprender é fantástico?
Eu já! Hoje tive um momento de epifania quanto a isso. Como a maior parte de vós sabe, mudei de emprego à relativamente pouco tempo, logo: novas pessoas, novas funções, tarefas, novas formas de trabalhar e novas ferramentas de trabalho.
Hoje quando fazia uma página nesta ferramenta retorcida que usamos (o ser retorcido são outros 500 que não vale a pena estar agora a falar) senti-me como peixe na água. Dá erro, resolve-se; fica mal, põe-se de outra maneira… Trabalhar e sentir que se faz alguma é cada vez mais um prazer.
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Criatividade

Numa reunião há umas semanas estávamos a falar de criatividade, alguém disse que é daquelas coisas que se tem ou não se tem, mas quando se tem também é fácil de calar.
Hoje quando lia o ‘Great IKEA’ lembrei-me de que isto pode ser um bocadinho mais ainda.
Eu sou da opinião que todos somos criativos, alguns são é mais que outros, mas todos temos ideias de que nunca ninguém se tinha lembrado. E isso é criatividade, mas temos vários níveis de criativos e tudo isto depende dos estímulos que tivemos ao longo da nossa vida aliado à nossa personalidade. As crianças são, por norma, muito criativas, não têm os bloqueios que os adultos se auto-impõem. Logo, é ao longo da infância que são impostas as restrições à nossa criatividade, pelo que pensem bem antes de criticar um desenho de uma criança! J
Mas para uma pessoa criativa, que trabalha permanentemente em criatividade e que se sente reralizada com coisas diferentes, que gosta da diferença com um objectivo, uma criatividade que sirva um propósito, a criatividade que fomenta o bem estar, que decora uma casa, que vende um produto, … para estas pessoas é importante o estímulo para a criatividade no seu quotidiano e espaço dar largas a essa imaginação. É aqui o ponto fundamental do calar a criatividade de que falei no início, uma pessoa que seja criativa pode deixar de o ser ou adormecer a sua ‘veia criativa’ se sistematicamente for criticada pela sua criatividade, se não tiver espaço para pôr em prática as suas ideias.
Durante um tempo foi isto que me aconteceu, estava adormecida. Qualquer ideia que tinha era posto imediatamente de parte porque era mudar um status quo de uma empresa onde nada era para ser alterado, onde, vejo isso agora, as coisas não eram para correr bem, eram simplesmente para deixar andar sem grandes ondas. Foi por isso que comecei a fazer bijuteria, foi o espaço que encontrei para dar largas à imaginação. Hoje em dia sinto que acordei! Que estou permanentemente a ter ideias, mesmo nas pequenas coisas. Como pôr uma mesa para a passagem de ano, criar um documento diferente. E quero sempre mais, e daí o ter-me lembrado deste tema, quero ler coisas que me façam pensar, que me estimulem, procuro blogs e livros, e dou por mim a pensar nestes temas quando leio um livro, quando venho no trânsito de fim-de-semana na A1. É um conforto para o qual só encontro paralelo num certo abraço.
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Um bocadinho do meu coração partiu...
Tenho saudades tuas! Do teu silêncio pela casa às vezes. De acordarmos de manhã, andarmos pela casa sem trocarmos palavras e algum tempo depois falarmos como sempre. Não era por estarmos chateadas, mas simplesmente por termos acabado de acordar.
Tenho saudades tuas! Das tuas respostas bruscas. De como dizias sempre que eu não devia ser tão exigente, mas depois acabavas também por perder a paciência e ser ainda pior que eu.
Tenho saudades de te ver todos os dias. As tuas coisas continuam no mesmo sítio, o frasco do perfume vazio na casa de banho, as tuas coisas nas gavetas. Cada vez que preciso de mais espaço e ponho um livro numa prateleira tua penso que não o devia fazer porque aquela prateleira não é minha. Cada vez que trago alguma comida que sei que gostas lembro-me de como gostava que cá estivesses para ver a tua satisfação. Cada vez que vejo um cartaz de um concerto lembro-me de como uma vez dissemos que iríamos a pelo menos um concerto por mês e ao cinema todas as semanas. Cada vez que como uma salada, lembro-me de como iniciávamos 'dietas' e trocávamos frases de como nos sentíamos bem durante o processo de limpeza do corpo. Cada vez que me apetece ir para a cozinha às tantas da manhã para fazer uma gulodice mas acabo por não ir, lembro-me que se cá estivesses estaríamos a noite sem dormir mas não faltariam os crepes ou o bolo de chocolate naquela noite.
Tenho saudades de adormecer a falar contigo. Tenho saudades de jantar contigo numa sala quente. Tenho saudades de ser 'obrigada' a ver filmes estranhos.
Apesar de ter tudo o que sempre quis, sinto muito a tua falta.
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Amizades....
É triste chegarmos a determinada idade e vermos que o nosso mundo nada tem a ver com nada do que era. As pessoas com quem aprendeste a viver já não olham para ti, já não precisam de ti. Assistes à sua vida como se estivesses a ver um filme e depois há dias, breves instantes em que a separação do ecrã não é suficiente e que te sentes vazia. Sentes que devias fazer parte daquela vida que aprendeste a cuidar, que aprendeste a conhecer e aconselhar, aprendeste a lidar e festejar. Queres estender a mão para aconchegar essa vida, mas sentes que já não tens esse direito, já riscaram esse item da tua lista de deveres, já não fazes falta, no fundo sentes-te substituída.
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Epifania
Compreensão repentina sobre assunto.
Aparição.
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