Soneto de fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes (1913 - 1980)
relações, amizades, desapontamentos, ...
às vezes fico triste com as amizades que perdi.... outras vezes olho para as pessoas e penso se terei realmente perdido alguma coisa... comentários que não se coadunam com o meu sentir, olhar e não ver, passar pela vida sem conseguir olhar para a pessoa do lado, a sério que não percebo... apostei em pessoas... algumas foram realmente apostas, na verdadeira acessão da palavra, foram coisas conscientes de pensar e decidir 'não vou perder esta pessoa' e depois um simples telefonema, uma simples resposta que a pessoa nem percebeu o que disse e perdia... perdi-a dentro de mim que é o sítio mais importante! há pessoas que gostamos muito, que conhecemos há muito ou há pouco tempo, porque o tempo não importa e é sempre relativo à grandeza da relação e da cumplicidade, e depois mudamos e/ou crescemos e quando nos apercebemos... ou não vimos bem a pessoa ou já não a compreendemos... não podemos contar com ela, já não saímos, já não falamos, já não trocamos mensagens engraçadas, já não rimos das mesmas coisas nem ouvimos as mesmas músicas, já não vamos aos mesmos sítios, já não conhecemos as mesmas pessoas, no fundo, já nem sequer nos conhecemos! E SERÁ QUE NO FUNDO PERDEMOS ALGUMA COISA? se calhar só perdemos mesmo as ilusões.

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